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Na França, este incêndio causou uma tempestade de fogo no céu

Redação Recifes
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Na França, este incêndio causou uma tempestade de fogo no céu
Foto: Alfo Medeiros / Pexels

Os incêndios florestais que atingem o sudoeste da França deram origem a um fenômeno atmosférico incomum que preocupa autoridades e especialistas. A formação de uma nuvem conhecida como pirocumulonimbo surgiu sobre a área afetada pelas chamas, ampliando os desafios enfrentados pelas equipes de combate em meio ao avanço do fogo. O episódio ocorre enquanto o país contabiliza cerca de 42 mil hectares devastados e milhares de pessoas desalojadas.

Além da França, a Espanha também enfrentou grandes incêndios, embora parte dos focos já tenha sido controlada. Na região francesa de Gironda, próxima a Bordeaux, porém, o cenário permanece crítico, impulsionado por condições climáticas favoráveis à propagação das chamas e pelo surgimento da tempestade provocada pelo próprio incêndio.

Especialistas explicam que esse tipo de formação pode gerar ventos imprevisíveis, descargas elétricas e até novos focos de incêndio, aumentando os riscos em uma temporada marcada por calor intenso e vegetação extremamente seca.

Como o incêndio deu origem à tempestade

O pirocumulonimbo é uma nuvem de tempestade cuja formação depende da intensa liberação de calor produzida por incêndios florestais de grandes proporções. O aquecimento faz com que o ar carregado de fumaça, cinzas e vapor d’água suba rapidamente para as camadas mais altas da atmosfera, onde ocorre o resfriamento e a condensação da umidade.

A meteorologista Helen Willetts, da BBC, explica que incêndios de grande intensidade não apenas se alimentam de calor, tempo seco e ventos fortes, como também podem alterar as condições atmosféricas ao seu redor. “Os incêndios florestais também podem gerar seus próprios ventos e fenômenos meteorológicos.”

Quando a atmosfera apresenta instabilidade suficiente, essa nuvem pode evoluir até atingir características semelhantes às de uma tempestade convencional. Nesses casos, torna-se capaz de produzir raios, granizo, chuva e rajadas de vento que dificultam o controle das chamas e podem favorecer o surgimento de novos incêndios.

A Nasa classifica esse tipo de formação como uma nuvem produzida por uma fonte natural intensa de calor, como incêndios florestais ou erupções vulcânicas. A agência espacial também utiliza a expressão “dragão das nuvens que cospe fogo” para descrever o fenômeno, conhecido cientificamente como cumulonimbus flammagenitus.

Rick McRae, pesquisador da Universidade de Nova Gales do Sul especializado em incêndios florestais, destacou ao jornal The Guardian a dimensão desse tipo de evento. “Uma tempestade elétrica completa está se formando dentro da coluna de fumaça do incêndio.”

O pesquisador acrescentou que esses sistemas atmosféricos podem alcançar enormes proporções e influenciar um volume expressivo da atmosfera, o que amplia seus impactos sobre a evolução dos incêndios.

Pesquisadores afirmam que episódios desse tipo têm sido observados com maior frequência nas últimas décadas. A Austrália registrou ocorrências ainda no início dos anos 2000, enquanto formações semelhantes também apareceram durante os grandes incêndios na Califórnia, em 2020. Segundo especialistas ouvidos pela imprensa francesa, esta seria a primeira vez que o fenômeno é considerado oficialmente em operações de combate a incêndios na França.

O aumento das temperaturas e o ressecamento da vegetação também ajudam a explicar esse cenário. Conforme o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, a Europa é o continente que mais aquece desde a década de 1980, criando condições mais favoráveis para incêndios de rápida propagação.

A Agência Europeia do Meio Ambiente acrescenta que as mudanças climáticas ampliaram o risco de incêndios florestais em diferentes regiões do continente, sobretudo no sul europeu.

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Artigo originalmente publicado em olhardigital.com.br
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