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30 anos de Pokémon: como a franquia continua unindo gerações ao redor do mundo

Redação Recifes
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30 anos de Pokémon: como a franquia continua unindo gerações ao redor do mundo

Há exatamente três décadas, o Japão conhecia um par de cartuchos de Game Boy que mudaria a história dos videogames para sempre. O que Satoshi Tajiri imaginou como uma forma de recriar a experiência de colecionar insetos na infância tornou-se um dos maiores fenômenos culturais já registrados. Em 2026, Pokémon não é apenas uma franquia bilionária — é uma linguagem comum falada por pessoas de todas as idades, idiomas e continentes.

O Pokémon Go, lançado em julho de 2016, foi o capítulo mais inesperado dessa história. O game da Niantic transformou parques, praças e monumentos históricos em arenas de batalha e pontos de encontro. Dez anos depois, o jogo segue ativo com milhões de jogadores diários, e o que mais surpreende é a diversidade desse público: avós que nunca tinham tocado num smartphone passaram a sair para caminhar todos os dias; casais que se conheceram durante as caçadas virtuais hoje têm filhos que também jogam. A comunidade que o game construiu vai muito além da tela.

Parte do segredo está na acessibilidade emocional da franquia. Pokémon não exige que você seja um jogador hardcore. Ele convida. Um Pikachu reconhecível por qualquer criança de cinco anos também desperta nostalgia em adultos de quarenta. Essa camada dupla — novidade para os jovens, memória afetiva para os mais velhos — cria um terreno fértil para conexões genuínas. Eventos presenciais do Pokémon Go, como o Pokémon Go Fest, reúnem anualmente centenas de milhares de pessoas em cidades como Osaka, Chicago e São Paulo, transformando o digital em encontro real.

No Brasil, a cena pokémon tem identidade própria. Das batalhas competitivas do Campeonato Mundial Pokémon, onde jogadores brasileiros já figuraram entre os melhores do planeta, às comunidades locais de Pokémon Go que organizam raids em bairros periféricos, o engajamento é notável. O card game também vive um boom: colecionadores e jogadores competitivos disputam cartas raras em feiras especializadas que tomaram shoppings e centros culturais nas últimas temporadas.

O que o futuro reserva para Pokémon é tema de especulação constante entre os fãs. Com a expansão para realidade aumentada cada vez mais sofisticada, novos jogos nos consoles e uma geração Z que cresceu com o Go, a franquia parece longe de desacelerar. Mas talvez o dado mais revelador seja este: mesmo após 30 anos e mais de mil espécies de criaturas catalogadas, o impulso de completar a Pokédex — de capturá-los todos — continua tão irresistível quanto no primeiro dia. Algumas missões, ao que parece, nunca ficam antigas.

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Artigo originalmente publicado em www.theguardian.com
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